segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Growing then giving up

Chove do lado de lá da janela. O vento uiva e leva tudo pelo ar. Não me leva a mim porque estou no quarto iluminado pelo candeeiro. A secretária está demasiado arrumada, ou pelo menos mais do que o normal, e eu tenho frio. Tirei há pouco o casaco e não me apetece vesti-lo. Enquanto sentir tremores, sei que sinto alguma coisa. Ela disse que eu estava incapacitado de falar e sentir. Estarei? Não sei, o espelho não me revela isso.

Os dias têm passado a uma velocidade rapidamente lenta. Lembro-me do Agosto, do Setembro, do Outubro (que ainda me está tão presente porque acho que todos os meses deveriam ser Outubro) e agora olho para o canto inferior direito do monitor e cumprimento Novembro [Olá Novembro]. E no entanto, que mudou? Tudo e nada. Big bangs e big crunchs. Buracos negros e super novas. E eu, terei mudado? É certo que a cada dia que passa as minhas células ficam mais velhas e eventualmente perfazem anos exactos de existência. Mas tirando todos os processos biológicos que vão desde a mitose, ao crescimento e à apoptose, passando por muitos outros, algo mudou? Penso que não. Continuo eu, apenas mais envelhecido um pouco.

Haverá algo mais que nos faça crescer sem ser a sucessão dos segundos? Pessoas fazem-nos crescer? Eu diria que sim. Se tenho crescido assim? Não sei não, só espero é não fazer ninguém mingar.


“Que grande parvalhão que me saíste, é assim que se trata as pessoas?”


Peço desculpa, eu cresci com pessoas, é verdade! Cresci bastante. Não se reflecte em centímetros (vá, não quero crescer mais em altura, estou bem assim), mas cresci, embora saiba que ainda tenho uma criança dentro de mim que gosta de saltar nas poças de água. O crescimento é positivo, mas assim como nos ossos temos deposição e reabsorção simultâneas de cálcio, também já me deitaram abaixo, também já verguei o olhar. Sim, já o fiz, tenho ainda talvez algumas sequelas, mas isso também me ajudou a crescer ou eu pelo menos acredito que sim. Há, contudo, quem se queixe desse meu crescimento. Talvez me tenha tornado ligeiramente insuportável de vez em quando, mas de momento nada farei no sentido de alterar isso. (Também os acho ligeiramente insuportáveis, por isso há um equilíbrio dos dois lados).

Tudo acontece por uma razão, até a morte,

You do not die from being born, nor from having lived, nor from old age. You die from something... There is no such thing as a natural death: Nothing that happens to a man is ever natural, since his presence calls the world into question. All men must die: but for every man his death is an accident and, even if he knows it and consents to it, an unjustifiable violation

por isso terei de pedir novamente desculpa por um certo comentário que fiz.

Apaixonem-se. Amem. Isso acontecerá por algum motivo. A felicidade passa por fazer os outros felizes. Ao amarem, haverá felicidade dos dois lados. E dizem que também faz crescer.

Eu vou comer agora um Suissinho para ver se cresço também.

2 comentários:

  1. Crescer dói! Responsabilidades aumentam. Os outros esperam que te tornes sério e não a criança que ainda, felizmente, guardas dentro de ti. Perdemos a inocência, a sinceridade, a compaixão.

    E o teu texto fez-me chorar!

    ResponderEliminar
  2. Crescer dói, por vezes, e é certo que as responsabilidades aumentam, mas há também muito mais para além disso. O Peter Pan recusou-se a crescer, mas até mesmo os meninos perdidos optaram por crescer.

    Algumas características mudam, mas na nossa essência continuamos iguais...

    ResponderEliminar