domingo, 25 de dezembro de 2011

Christmas Lights

Não estava praticamente ninguém no parque da cidade durante a tarde de ontem. De vez em quando conseguia distinguir uma forma humana a caminhar, mas foram poucas as vezes, e também os patos não estavam à vista. Certamente estavam todos a preparar a ceia de Natal, pelo que não os vi a andarem de um lado para o outro.
Sentei-me num banco junto ao lago e como não tinha um livro como da última vez que lá estive ou um caderno, fiquei lá parado, sentindo o frio cortante nas mãos e na cara enquanto falava comigo mesmo e a imaginar coisas.  O Sol estava lá ao longe, entre dois prédios, e embora estivesse bastante laranja, não me consegui aquecer grande coisa. Dobrar os dedos custava e anestesiava todo o corpo.

Um dia hei-de escapulir-me e fazer a ceia de Natal no jardim. Vou enfeitar as árvores com bolas e luzes coloridas como as que vi perto da Galeria de Paris, estender toalhas sobre a relva húmida e usar o fogãozinho de campismo para preparar a comida. Não precisa nada de especial porque vou estar entretido a procurar os gnomos escondidos entre os galhos caídos, atraídos pelo barulho que faço quando tento cantar. Depois de os afastar, abanarei freneticamente os braços numa dança para atrair os pirilampos e as fadas porque entretanto aperceber-me-ei de que me esqueci de um gerador para poder ligar as luzes que trouxe para os pinheiros. Assim será mais divertido e se conseguir fazer desaparecer a compota de framboesa do frasco tentarei preservar algumas luzinhas no seu interior para me iluminar mais tarde (nunca consegui fazer aquele feitiço da Hermione). Se o lago estiver congelado, farei dele a pista das quedas (na verdade, eu queria que fosse a pista de patinagem no gelo, mas o meu equilíbrio não é lá muito bom); se não estiver, dou um mergulho, assusto uns quantos peixes e depois deito-me enrolado numa manta a ver as estrelas.

As estrelas há-as no céu, no copo de leite do pequeno almoço e algumas pessoas são também estrelas que me fascinam e cujo brilho guardo na minha caixa. Ontem, antes de me deitar, pensei nessas últimas e sorri.


2 comentários:

  1. Não pretendo ser desmancha-prazeres ou desvirtuar o brilhantismo da tua encenação, mas, em todo o caso, permito-me sugerir-te uma alteração.

    Em lugar de te enrolares numa manta, que tal se, simplesmente, te enrolasses nas estrelas e te deitasses assim entre o sonho e a realidade. Bem sei que estarias molhado após o mergulho, mas acredita que não correrias o risco de apanhar um resfriado.

    Pensa nisso, sim? :)

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