sábado, 3 de dezembro de 2011

O meu vizinho é quase cego porque usa o cabelo grande à frente dos olhos

Na rua, os artistas projectavam o lápis no ar, semicerravam os olhos e tiravam proporções dos edifícios e da ponte. Seria, talvez, mais fácil se pudessem não dar importância às proporções das construções que a vista alcançava mas antes pintar com todas as cores e tamanhos o que lhes ocupa o coração. Poderiam inventar, afinal de contas imaginar é essencial. Imaginar permite-nos ir mais longe, ainda que tudo se forme apenas na nossa cabeça. 

Na aula, também o rapaz ao meu lado desenhava em vez de tirar apontamentos. Talvez seja daqueles alunos a quem basta ouvir para assimilar aqueles palavrões ou então não estava com vontade de ouvir o professor a dizer piadas para tentar chamar a atenção. Ficava engraçado com a cara apoiada na mão esquerda apoiada no tampo da mesa enquanto usava a mão direita para fazer os traços no caderno. Tem uma cara bonita, uns olhos profundos e um cabelo que denuncia o gosto pela praia e pelo Sol. Quando se ri, admito que me perco um pouco a ver se nascem fadas. Sorrio-lhe quando ele olha para mim e em seguida desvio o olhar para o caderno. Desenha cães e claves de sol. Se calhar há algum significado naquilo ou então é apenas aquilo que sabe desenhar. Eu nunca desenho porque não o sei fazer, por isso uso o meio do caderno ou a capa para escrever coisas patetas.

Se nunca tivesse escrito, algumas coisas nunca teriam acontecido. Se nunca ninguém tivesse imaginado, nunca teria havido a comunicação transatlântica por rádio que viria revolucionar os meios de comunicação. Ainda bem que isso aconteceu! Que seria de mim?!

Se um dia pudesse, pintava a minha rua, mas não ligava muito às proporções das casas. Mudava antes as pessoas que habitam nas redondezas. Mudava os vizinhos, mudava as frases que lhes dirijo, mudava o sorriso que tenho na cara. Sorrio ao pensar nisso, sorrio ao pensar nos novos inquilinos.

Olá, o meu nome é K. É um prazer ver-vos por aqui!



Agora imagino eu e vou mais longe. To infinity and beyond dizia o Woody. Já o disse mentalmente vezes sem conta. A minha serotonina está elevada, há-que aproveitar!

6 comentários:

  1. "To infinity and beyond.Já o disse mentalmente vezes sem conta." O desafio não está em sonhar mas sim em tentar :)

    "A minha serotonina está elevada, há-que aproveitar!" Então e pode-se saber a que se deve tal acontecimento ? xD

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  2. Se eu visse alguém desenhar claves de sol, suporia que a pessoa toca um instrumento ( cantar também conta) ou gosta bastante de música. Ou então só sabe desenhar claves de sol xD

    Olá o meu nome é Weasley e é um prazer estar aqui =]

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  3. Sonhei, tentei, consegui. Já sabes o porquê de eu estar assim ;)

    Queres vir provar o bolo que fiz? E depois podemos ficar a conversar na varanda :)

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  4. eu gostava imenso, mas receio que quando chegar aí já não haja.
    Não está tempo para se voar de vassoura ( acabaria por me perder, certamente), ainda não passei no exame de Aparição e não vejo ode posso encontrar um botão de transporte.
    À parte disso, acho que o teu bolo é muito saboroso. E como não poderei ficar a conversar na varanda, envio-te uma coruja pequenina para sinalizar a minha presença. por isso, se vires algum ponto branco a voar nos ares, é a minha criatura :P

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  5. Esta joínha que te lê, tratou de ir pesquisar serotonina à wikipédia :-P
    escreves os teus sonhos na virtude dos teus cadernos...
    já agora, as fadas apareceram?:-)

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  6. Essa joínha que me lê é feliz por causa da serotonina :P

    O J. Barrie dizia que as fadas nasciam quando um bebé se ri pela primeira vez. Sendo assim, seria impossível ver fadas a nascer dele. No entanto, penso já ter visto uma ou duas. Naquela aula não vi nenhuma, mas outras vezes, quando o vejo a conversar à porta da sala, acho que já lhe vi nascer algo num daqueles sorrisos espontâneos dele :)

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