sexta-feira, 16 de dezembro de 2011

Happy Ending?

«This is the way you left me, I'm not pretending, no hope, no love, no glory, no happy ending»
Mika - Happy Ending

«O corpo humano é concebido para compensar as perdas. Adapta-se, para não precisar do que já não pode ter.»
Anatomia de Grey, ep05 t08


Por vezes definir perdas é complicado. Quando somos nós próprios os juízes avaliadores de potenciais alterações na nossa vida, podemos tirar conclusões erradas para encontrarmos algo que apoie as nossas decisões e ideais, algo parecido como arranjarmos uma desculpa que justifique sermos de determinada maneira.
Quando é difícil definir perdas, acredito que haja situações que nos colocam em modo de alerta, que nos desagradam ao mínimo contacto, que  se revelam desinteressantes face àquilo que procuramos, ..., e por isso adaptamo-nos, alteramos o nosso modo de pensar e criamos barreiras de modo a evitar certas realidades e a protegermo-nos de estímulos externos potencialmente nefastos. Tal atitude da nossa parte pode ser vista como um acto cobarde e pode privar-nos de sensações e sentimentos agradáveis, mas acredito que haverá um momento oportuno para a pessoa abandonar o fato hermético no qual se encerrou. Tudo requer tempo para acontecer. Deixemos as coisas seguirem o seu rumo.



Eu revejo-me na pessoa que se encerrou no fato completamente esterilizado e encerrado e talvez tenha dito aquilo só para arranjar uma desculpa para me sentir bem com a minha maneira de ser. É provável. Se o valor da probabilidade é superior ou inferior a 0,5 para poder dizer para que lado estou mais tentado a responder eu não sei e acho que ninguém saberá. Dizer que sou complicado é fácil, até eu o posso dizer a mim mesmo,

 [K., és complicado, ou pelo menos é o que dizem]

mas não somos obrigados a pensar todos da mesma maneira. 

2 comentários:

  1. duas citações muito boas...Happy Ending, já me desdobrei em lágrimas com ela...e anatomia de grey, a minha série preferida...tb choro horrores, mas pronto. :-)

    as perdas levam-nos acima de tudo a pôr em dúvida muito do que somos e queremos ser...a perda leva-nos a querer ser epicuristas, almejando uma ataraxia permanentemente apaziguadora.
    Mas no final do dia, a perda eleva a nossa essência a um maior esplendor, talvez porque damos sempre valor àquilo que perdemos.

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  2. Happy Ending é a minha música preferida do Mika e das minhas músicas preferidas. Anatomia de Grey é também a minha série preferida. E todo aquilo de que eu gosto muito, já me fez soltar lágrimas.

    Penso que às vezes também nos tornamos demasiado medricas com medo da possibilidade de perdermos mais do que aquilo que já ficou para trás. Acabamos por recear viver porque não conseguimos suportar a ideia de que as coisas nem sempre são como gostaríamos que fossem e ficamos então a viver um sonho porque ao fecharmo-nos nesse pensamento, acabamos por nos impossibilitar de viver coisas fantásticas...

    Digo...

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