domingo, 5 de fevereiro de 2012

Pela Cedofeita

Apesar do frio, é sempre bom sair à rua e deliciarmo-nos com as situações que vão tomando lugar numa simples caminhada.

Hoje lá ia eu na rua, com as mãos nos bolsos para as manter quentes enquanto trauteava uma música qualquer como habitual. À minha frente e a vir em direcção a mim seguia o trio filha, mãe, avó. A pequena devia ter uns 6 anos e vinha a dançar enquanto as senhoras mais velhas conversavam. Pensei para mim que alguém lá em cima deveria ter feito de propósito para que nos cruzássemos. Eu cantava, a menina bailava, a mãe e a avó eram as espectadoras que assistiam em silêncio à nossa actuação e que de tão fascinadas que ficavam não se atreviam a bater palmas. Seria um bom cenário, mas nada aconteceu dessa maneira.
Quando estávamos à distância de duas pernas minhas, a menina imobilizou os braços e ficou a olhar para mim com a boca meia aberta. Li-lhe os pensamentos: “este rapaz deve ser tolinho para ir a falar sozinho!”. Confirmei tal pensamento começando a sorrir e reduzi a distância para um passo. Olhei para as senhoras e vi que elas pararam de falar e que também olhavam para mim embasbacadas. Não devem ter ficado com dúvidas quando me viram rir.

Aquecido por esta boa disposição, segui o meu caminho. Mais à frente encontrei o acordeonista do costume. Ainda não foi desta que tocava algo que eu conhecia de ouvido, mas hoje batia o pé, fazendo vibrar uns pratos que tinha preso à sola. Parei a ouvi-lo e quando terminou, abri o porta-moedas. Uma moeda caiu e vi-a rolar pelo chão. Parou debaixo do pé do músico; era a prova de que a merecia. Apanhei-a e pousei-a na caixa do instrumento. O senhor sorriu-me e iniciou uma nova música.

Já alguém tinha sorrido comigo, pelo que já havia dois tolinhos na rua. Sorri de volta e continuei a andar. 

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