quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Encontramo-nos?

De manhã caiu chuva lá de cima em cima de mim. Caminhava na rua e nas lentes dos óculos acumulavam-se várias gotas que quase me proporcionavam uma visão de mosca. Tirei-os porque receei cair (na verdade, apenas pensei que as pessoas podiam ficar assustadas por verem um homem-mosca) e então vi tudo muito melhor. O cinzento do céu que dava uma maior profundidade a tudo o que os meus olhos viam, os rasgos de chuva que iam descendendo e cortavam o ar, o rapaz à minha frente que me fez lembrar um outro rapaz, os ténis que estavam escuros devidos à água que neles embatia, as montras das lojas que brilhavam assinalando o Natal…  Passei a mão pelo cabelo e apercebi-me de que estava bastante molhado.
Segui caminho a procurar padrões nas folhas do chão que me indicassem como correria o dia. Conclui que estaria molhado durante parte do dia e achei que estava correcto, pelo que me congratulei pelo meu bom desempenho em Adivinhação. O guarda-chuva jazia no quarto devido a esquecimento meu, mas se o tivesse carregado na mochila certamente que o meu estado seria o mesmo. A chuva aviva-me demasiado para que me proteja dela.
Juntando a água que transportava no corpo à que ando a trazer aos poucos para casa comecei a fazer uma piscina. Ainda não estou inteiramente certo se me aproveitarei dela para fazer uma tempestade ou uma zona de lazer. Ainda aguardo que as folhas me digam isso ou que eu aprenda a desvendar e a avaliar correctamente os sinais que me são dados. Ou talvez não. Tento convencer-me de que mesmo tendo razões para congelar a água e fazer bolas de neve, vou optar antes por fazer pocinhas onde procurarei o meu reflexo nos dias em que não chove lá fora. Talvez isso me ajude numa próxima.

Comi um Bollycao enquanto pensava, numa tentativa de me sentir mais seguro e calmo. Comecei por uma ponta e cada trinca era intercalada com uma outra trinca na outra ponta. Quando achei que estava com o comprimento ideal, apertei o meio para o chocolate sair. Lambuzei-me com ele e rapidamente tudo o resto desapareceu. Segurei o cromo durantes uns segundos, mas não lhe achei piada como achei aos dos Digimons aqui há uns anos. Ainda tenho um Bollycao na mochila. Talvez o coma agora antes de me deitar... afinal seria só mais uma coisa a repetir-se. Já estou habituado a rotinas, por isso…

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