A Lua parece-me mais sensual hoje do que quando fui ver as estrelas ontem. Ontem as nuvens pareciam aconchegá-la no berço, formando um C que a abraçava. Hoje pareceu-me que eram uma camisa quase transparente que a envolvia e lhe conferia uma certa misticidade. Fiquei a beber o leite com chocolate na varanda (podia ser que ela hoje revelasse o seu outro lado) sozinho, já que há sempre uma distância, seja medida em quilómetros, milhas ou porque o tempo não permite
(Weasley, vê se passas no teste de Aparição [cuidado com as meias sobrancelhas que ficam para trás] ou se aprendes a fazer um Portus forte. Quanto aos outros, podiam ter aparecido que havia bolo e conversa para todos)
Hoje abri a caixa que vive debaixo da secretária onde guardo tudo aquilo que me é especial e que lá pode ser colocado. Adicionei-lhe o guia Don't Panic, o que encheu praticamente o espaço, mas é ali o verdadeiro lugar dele, junto daquelas coisas todas que me fazem sorrir. Como a caixa desempenha também funções de Pensatório, adicionei-lhe recordações do resto dos meus vizinhos. Eu estou por ali, em todos aqueles papéis, objectos e memórias, desde o miúdo que era há anos atrás até ao miúdo que agora sou. Cresci, claro que sim, mas ali não se medem os centímetros a mais que os meus ossos ganharam. Crescer é muito mais do que um crescimento de epífises e diáfises segundo uma proporção matemática qualquer e uma evolução da nossa personalidade. Crescer é viver e eu vivi (e existi apenas também).
Ao ver aquele conteúdo precioso vejo que algumas coisas ficaram para trás. Por vezes é necessário que isso aconteça para que novas explosões se dêem. Quando o combustível se acaba às estrelas, elas explodem, mas o nada não se formou (é certo que se podem formar buracos negros, mas até isso é alguma coisa). Para que haja estimulação do que quer que seja, tem de haver inibição dos fenómenos antagonistas. Assim, houve quem se esbatesse ao longo dos anos que passaram na caixa, mas há novos inquilinos que são a base de tudo aquilo e que permitiram que a explosão não se desse só na caixa, mas na pessoa que agora se delicia a ver o seu interior.
Escrevo isto e estou a chorar e a rir ao mesmo tempo, o que me deixa com uma cara muito estúpida (e só por tentar imaginar essa cara choro e rio mais).

São 4 da manhã. Estou sem sono. Não consigo ver a lua - as nuvens não deixam - mas creio que sou capaz de ver a tua varanda. Imagino-te a dormir e não me atrevo a atirar pedrinhas à janela.
ResponderEliminarUm destes dias, aproveitando o teu convite, apareço por aí. Uma tertúlia ao luar talvez seja bem interessante!... :)
Mesmo que atirasses pedrinhas, o mais certo seria eu não ouvir. Tinha-me deitado tarde, o cansaço pesava, pelo que não me recordo de ter acordado mesmo quando os meus irmãos chegaram a casa.
ResponderEliminarFico à espera da tua aparição ;)
ehehehe pensatório:-)
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