A chover, a pingar,
A raposa no quintal
A fazer a comidinha
Para o dia de Natal
Chove. Lá fora, não em mim. Em mim só cai a água vinda lá de cima. Dias de chuva fazem-me pensar. Bem, reformulo a frase: dias de chuva fazem-me pensar mais do que o normal. Não sei se é comigo que tal acontece, mas o meu olhar perde-se a ver o cinzento no céu durante o dia (chego mesmo a achar que é quando o céu fica mais bonito) e sou capaz de ficar horas a contemplar o padrão da água nos vidros.
Estive a boiar nas múltiplas gotas que deslizavam pelo vidro do carro. Eram bem redondas e aparentavam serem mais finas no centro. Comecei a contá-las, mas o pára-brisas apagava tudo quando eu ainda estava a começar, o que me obrigava a retomar a contagem inúmeras vezes. Deixei de o fazer porque entretanto pus-me a ver os carros a passar. Quando chove, todos os sons que se ouvem nas estradas tornam-se mais agradáveis por causa das pingas de água que saltam de um lado para o outro para caírem em breve. E a luz que nelas incide proveniente dos faróis dilui-se e todo o chão parece brilhar.
Passeei à chuva, marcando os segundos que passavam com cada passada e a borracha dos ténis deslizava nas tampas de saneamento. Também o meu casaco parecia brilhar. Pelas mangas e pelos botões juntaram-se pequenas gotas que explodiram quando sacudi o casaco ao passar a porta. E o silêncio que reinava nas escadas foi violentamente quebrado quando o fiz.
Na minha cabeça as coisas acontecem lentamente como se tivessem medo de existir. Eu estou com medo e não sei se tenho razões para isso. Pode ser que esteja a fazer uma tempestade com as gotas que trouxe na roupa, no cabelo, nos óculos, nos ténis e na pele, mas também pode ser que não esteja. E seja qual for a resposta, não gosto da situação em que isso me deixa.
Já não chove. Pelo menos não ouço aquele som que me costuma acalmar. Ouço o relógio aqui ao lado e parece querer dizer-me que não me vai deixar dormir. Não sei se assim será. Hoje tenho o cansaço a meu favor, por isso talvez consiga silenciar os segundos...
As gotas que levaste na roupa dificilmente se transformarão numa tempestade. De uma certa forma acabam por fazer parte de ti e não creio que devas sentir medo por seres como és.
ResponderEliminartenho a apontar que mais logo não deste um título a isto.
ResponderEliminarou então, na minha definição de logo que influencia toda a minha vida, faltou-me qualquer coisa que eras tu a dar um titulo a isto.
tenho dito.
xD
vou dormir.
Às vezes surge medo quando nos vemos reflectidos nas palavras dos outros. Mesmo que sejam boas, não consigo deixar de sentir uma sensação estranha...
ResponderEliminarMais logo é relativo :P Talvez daqui a um mês mude o título, talvez daqui a um ano...