Naquela biblioteca nunca tinha estado e por isso tudo me era estranho. Procurei um lugar lá no fundo para não ficar à mercê de todos aqueles livros. Enquanto andava ia lendo os nomes das lombadas, grossas. Não eram livros com personagens com nomes parecidos com o meu. Quanto muito, o autor chamar-se-ia como eu. Aqueles livros eram armas que deviam ser consideradas armas brancas. Feririam tanto fisicamente – centenas de páginas atiradas com força à cabeça haviam de provocar um grande hematoma – como psicologicamente – senti-o quando abri um e deparei-me com uma série de conceitos complicados que me assustaram. Acabei por encontrar duas caras conhecidas, que me receberam com um sorriso. Sentei-me junto a elas mas, intimidado por ver que liam daqueles livros confusos, resolvi arriscar e abrir um do mesmo tema que os delas. Se precisasse de ajuda para afastar os monstros, havia alguém por perto.
Hoje voltei lá e já caminhava quase que a assobiar. A cadeira da outra vez estava já ocupada e por isso procurei outra. Acabei por me sentar numa com uma mesa grande que rapidamente se viu preenchida com mais gente. Amigos e colegas. E rapidamente o estudo previsto acabou por perder consistência. Voltei lá mais tarde, sozinho, e para continuar sozinho resolvi ir para outro sítio. Estava deserto, ou assim parecia à medida que subia as escadas. Ao contornar o pilar vi-o.
Já não o via há umas semanas. Da última vez que o meu olhar se tinha cruzado com a figura dele, ele conversava com uma colega e eu, a uns metros dali com o meu grupo de amigos, de frente para ele, podia vê-lo disfarçadamente. Usava o cabelo mais curto e por isso já não o penteava com a mão como habitual, nem a franja ficava levantada, mas ainda assim achava-o engraçado.
Mas hoje era só eu e ele, a umas quatro passadas um do outro, e eu desejei ter optado pela mesa entre as estantes que podem cair e esmagar-me em vez daquele lugar habitado exclusivamente por ele. É claro que ele não me conhece e por isso olhou para mim apenas durante uns segundos enquanto eu me sentava, mas no que me diz respeito ele tem andado na minha cabeça desde que o vi pela primeira vez, há uns seis meses. E é estúpido porque ele nada sabe sobre mim. E eu apenas lhe sei o nome porque vi na internet. Vá lá que os candeeiros da mesa tapavam-lhe a cara (e a minha) e pouco depois levantou-se e saiu. Não tem nada que andar na minha propriedade.
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andas a fisgar o rapaz?? xD
ResponderEliminarvá um dia levas-me a essa biblioteca, só conheço a da universidade... para mal dos meus pecados LOL
abc
O rapaz fisgou-se a mim... E não quer sair.
EliminarA biblioteca da minha faculdade é gira! Um dia levo-te lá, se quiseres.
Os livros e... os sonhos!
ResponderEliminarGostei muito.
Abraço
Fico a torcer que se conheçam um dia destes. Pode ser que tudo mude.
ResponderEliminarNão, não mudam. Incompatibilidades...
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