sábado, 24 de setembro de 2011

Doraemon, el gato cosmico

Depois de regressar de uma noite fria que me deixou a garganta a doer, fiz um chá e liguei a TV. Nos canais habituais não estava a dar nada que me cativasse, pelo que fui mudando de canal até que parei no Panda Biggs, onde estava a dar o DoraemonNunca vejo tal canal, mas lembrei-me  de quando era mais pequeno e gostava de ver os desenhos animados do gato que tinha um bolso sem fundo de onde tirava invenções fantásticas que davam tanto jeito ao Nobita... Quantas vezes não quis eu os apetrechos dele!

No episódio de ontem o Nobita estava farto de ser chamado à atenção pelos pais e perguntou ao Doraemon se não tinha nada que o pudesse ajudar. (O que é que não há naquele bolso?) Foi-lhe dado um chapéu que fazia com que as pessoas não reparassem em quem o usasse. Lá foi então o Nobita fazer das suas com o chapéu. Tudo lhe estava a correr bem (ele chegou mesmo a fazer com que o Gigante caísse e batesse no Suneo) até que depois as coisas começaram a dar para o torto. Ele tentava tirar o chapéu porque ninguém reparava nele mas não conseguia. Tentou, tentou, mas só quando a mãe dele lhe atirou com um balde de água (porque não tinha reparado nele é claro [como se fosse costume a mãe ir para o portão da casa atirar baldes de água para a rua]) é que o chapéu saiu. E depois, mesmo quando os pais lhe ralharam por ele não estar a estudar, ele disse que preferia muito mais ser chamado à atenção do que não ser visto por ninguém.

Eu não sou como o Nobita. Os meus pais não me ralham para eu ir estudar e eu não posso recorrer ao Doraemon. Sim, acabo por não dar nas vistas, mas a culpa é minha. Mas mesmo sendo culpa minha, queixo-me dessa condição. Encho a cabeça com livros para evitar pensar em pessoas, mas quanto mais o faço, mais penso que me sinto isolado e que eu podia morrer esmagado por um livro que ninguém havia de reparar em mim. ("I try to live alone, but lonely is so lonely alone"). É um ciclo vicioso e eu cada vez menos gosto de ciclos porque não se têm revelado interessantes.

Se tivesse uma abelha que me indicasse se os meus pensamentos se iam tornar realidade (o Doraemon deu uma ao Nobita no episódio seguinte), talvez fosse mais fácil. Mas não devemos tomar o caminho mais fácil porque a aprendizagem é mínima e não nos apercebemos que há muito mais para além do que aquilo que queremos. Muito melhor do que encontrar uma moeda no chão, é ver as folhas das árvores a mudarem de cor e adquirirem uma cor avermelhada.
Vermelho é a cor do amor dizem e eu não me importo que as folhas arranjem um par no meio da folhagem.

7 comentários:

  1. Gostava de ter um doraemon. Ele para além de ser um gato muito simpático ensinar-me-ia lições muito importantes (seria tão bom se tivesse uma porta mágica, ou uma máquina do tempo dentro da gaveta da minha secretária :) "mas quanto mais o faço, mais penso que me sinto isolado e que eu podia morrer esmagado por um livro que ninguém havia de reparar em mim." Isto é cientificamente impossivel e posso garantir-te que não corresponde à realidade. Eu ia reparar e tenho a certeza que havia muita gente a reparar. E, volto a dizer-te, está nas tuas mãos acabar com os ciclos maus :P

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  2. Ei só tu é que podes quebrar o teu ciclo. E eu acho que tenho de quebrar o meu também...

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  3. Eu sei que tenho de quebrar o círculo, mas parte de mim oferece resistência. É que por muito que não goste dele, sei com o que posso contar. Fora dele é tudo estranho e pode ser assustador.

    Vou tentar quebrar o meu. Quebras o teu?

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  4. É como tu dizes, apesar de tudo estamos confortável nele.

    Posso dizer que também vou tentar?

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  5. Podes. Se falharmos, tentamos outra vez. Às tantas, haveremos de conseguir...

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