sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Eras tu?

Diz-me, eras tu? Eras tu ontem à noite a tocar sucessivos Mis ao piano?

Estava deitado na cama, à espera que o sono viesse, mas em vez de ser invadido por sonhos nos quais ouvia um piano, fui invadido pelo som do piano, o que me fez pensar se serias tu. Fiquei parado a tentar descobrir em que compasso tocavas, se me convidavas para me juntar a ti para improvisar qualquer melodia que nos faria dançar pela casa ou se estavas a tentar embalar-me. Se essa era a tua sensação, não foste bem sucedido. Senti o meu coração bater mais depressa embora o som do piano fosse um lento, não um allegro. Saltei da cama e procurei-te. Não acendi a luz porque para te encontrar nunca foi preciso isso. És capaz de te esconder na luz porque tu próprio brilhas. Não estava ninguém ao piano e ao virar-me para voltar para o quarto, fui contra o armário. Fiz um arranhão e enquanto esperava que a dor passasse, resolvi que ia dar um passeio.

Desci até à praia, mas julguei estar num outro sítio. As nuvens estavam escuras e pareciam montanhas e a Lua estava bastante elegante. Se conseguisse chegar ao cume da montanha mais inclinada, acho que era capaz de usar a Lua como uma prancha para fazer ski. Como seria engraçado e assustador! Inexperiente como sou, facilmente cairia ao mar, o que seria perigoso. As ondas batiam nas rochas e lambiam-nas como se elas fossem um gelado, deixando-as salgadas. A espuma voltava para trás e tornava a comer as rochas. Devia ser uma boa refeição e eu fiquei com vontade de comer um gelado, mas não vi um vendedor por perto. Tive de me contentar a comer o ar (estava frio, por isso não era muito diferente de um verdadeiro gelado).

Quando o piano se silenciou, regressei a casa. Meti-me novamente na cama (não sem primeiro ver se alguém tinha mexido nas partituras) e senti o meu corpo aquecer-se debaixo dos cobertores. Depois adormeci e sonhei contigo.

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