Olá K.
Só comeste um sonho durante a meia-noite da passagem de ano? Havias de estar comigo. Eu tratei de levar todas as compotas que encontrei em casa (desta vez havia de framboesa), mais a manteiga de amendoim, o gelado de coco, as bolachas de chocolate, o leite com chocolate mais cereais e mais coisas para a praia. Fiz um banquete com aquilo (não me ralhes que só como porcarias. Sabes que eu gosto e durante o mês andei a controlar-me para que só tivesse uma dor de barriga) e quando estava na hora de pedir desejos, levantei-me com um salto (a compota de framboesa quase que entornava, mas eu pus a mão à frente e lambuzei os dedos todos) e pus-me aos saltos e a assustar as gaivotas e imaginei-te comigo. E quando isso aconteceu, PUM! PUM! PUM! Foguetes! Oh, como tu gostas de foguetes! E eu também! Fiquei a vê-los dividirem-se em inúmeros raios coloridos até que depois também explodi de alegria. Senti-te em mim e desatei a gritar o teu nome às ondas. Os peixes resolveram vir à superfície quem era o tolinho que estava a fazer barulho e eu desejei que a luz dos foguetes lhes entrasse pela boca e que eles ficassem a dar luz como os pirilampos ou as luzes do pinheiro.
Não sei se sou tão grande como pensas. Será que não andas a manifestar macropsia ou estás com problemas na percepção do teu próprio corpo? Da próxima vez medimo-nos com uma fita métrica para ver se estou mais alto. Ou talvez não seja preciso. Se descubro que te deixas afectar pelas pessoas que dizem que não és muito normal, garanto-te que te besunto a cara toda com a framboesa e ainda te atiro farinha para cima. Pedes que eu seja forte, mas e que tal também tu seres mais forte? Não sabes que te sinto em mim e que quando estás triste eu também estou? Vá, não penses que sou mais do que tu. Atiro-te a água da chuva, mas tu sempre tiveste mais jeito para inventar constelações.
Todos os dias aproximo-me da janela do teu quarto e misturo-me com os raios de Sol para ser capaz de atravessar o vidro, a persiana, a cortina e chegar até ti. Depois, troco os fotões pelas ondas sonoras para sussurrar-te “bom dia” ao ouvido. Por vezes, quando vejo que dormes profundamente, aproveito as vibrações do ar para te passar a mão no cabelo e assim sentir o teu calor em mim. Quando não vou a tempo de fazer isso porque fiquei demasiado tempo a olhar para ti que acabaste por te levantar, sinto-te através do vento ou da chuva ou do Sol ou até pela neve que costumas imaginar cair.
Não me assusta não ver a outra face da Lua ou as estrelas (pronto, assusta um bocadinho…mas por outras razões. Ainda tenho algum medo do escuro…). Eu sei que elas estão sempre lá e que provavelmente no dia seguinte as voltarei a ver. É como tu e eu. Mesmo que não me vejas, eu acompanho-te sempre, da mesma maneira que quando não vejo a Lua penso em ti. Tenho-te sempre comigo, não duvides.
Gosto de ti :P
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| Estiveste comigo na praia. Estás comigo hoje. Estarás comigo amanhã, |
Kevin (?)

Hmmm!... Eu tinha razão quanto ao orgulho do Kevin!
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