quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Estudar faz mal

A compota acabou. Desta vez era de morango e tina pedacinhos inteiros da fruta. Fazia lembrar-me Sundae, mas faltava-lhe o gelado. Usei o dedo para rapar o frasco, que agora uso para suportar os lápis e as canetas na secretária. A visualização de comida provoca a libertação de enzimas do aparelho digestivo, criando a falsa sensação de que estamos a comer. Talvez assim consiga enganar-me a mim próprio e resista à tentação de devorar a compota, as bolachas, os cereais e a manteiga de amendoim. Para além disso, sempre que precisar de um lápis para escrever algo num caderno (ou riscar a parede), como ao mesmo tempo e assim  poderei dizer que sou capaz de fazer duas coisas ao mesmo tempo.

Como já tinha estimulado as papilas, achei por bem comer mais alguma coisa. Usei iogurte de frutos silvestres como recheio das tostas. Quando as trincava, o iogurte saía pelos lados e eu via-me obrigado a usar os dedos para impedir que o caderno que deveria estar a estudar ficasse sujo. Consegui fazê-lo, mas ainda assim não me apetecia estudar.

Lembrei-me de que tinha sonhado com o Tocha Humana e por isso fui buscar um fósforo à cozinha. Sentei-me no chão e friccionei-o contra a lixa da caixa. Do atrito entre o clorato de potássio do palito com o fósforo da caixa surgiu uma chama logo a seguir àquele crrrrrr. Fiquei a ver as cores e o dançar das chamas. Azul, amarelo, laranja, vermelho e depois preto. Ainda pensei em acender mais fósforos, mas lembrei-me do caderno pousado. Regressei ao quarto e pus-me a estudar.

6 comentários:

  1. E foi o melhor, não fosse também alguém pensar que fosses um potencial incendiário :P

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    1. Eu tive cuidado. Pus-me perto da banca para ter água por perto caso fosse preciso xD

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  2. Gosto destas divagações! Muito bem escrito mesmo!

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