sábado, 14 de janeiro de 2012

Sombras

Some things in life may change

And some things

They stay the same

Like time, there's always time
On my mind
So pass me by, I'll be fine
Just give me time


O meu relógio anda estranho. Provavelmente ficou afectado pelo contacto directo com a minha pele, através da qual consegue sentir o pulsar da artéria, e agora concede-me meias horas, o que me provoca uma certa confusão e induz em erro.  Acho que alguém lhe lançou um feitiço e ele agora quer ajustar-se a diferentes fusos horários (parece que ele ficou mais entusiasmado do que eu pensava depois de ter lido acerca do avanço de um dia na ilha de Samoa) ou então estou noutra realidade diferente da habitual, onde a contagem do tempo é diferente. Ainda assim, meto-o à mesma no pulso e quando olho para ele, reparo que a minha mão fica às manchas laranjas quando está frio. É um fenómeno que me agrada, mas para que a mãe não me ralhe que chego a casa gelado mergulho-as nos bolsos do casaco e aperto-as contra o tecido para as aquecer.

Saí à rua acompanhado pela minha sombra. Ela esperava-me junto à porta e fomos dar uma volta pelas redondezas. Ela é boa ouvinte e anda à minha volta conforme vamos passando pelos candeeiros. Para além da companhia que proporciona, permite-me ter noção do noção do meu aspecto. Reconheço as pernas idênticas às minhas, mas a cabeça estava estranha. Estava grande e com uma forma anormal. Levei à mão da cabeça e tranquilizei-me: ainda não me transformei em extraterrestre, era apenas o carapuço que não me lembrava de ter colocado. Chovia e, por isso, não era suposto tê-lo na cabeça. Tirei-o, juntamente com os óculos para que não ficassem sarapintados com água, e adoptei um passo mais lento. Chuva por fim! 

1 comentário:

  1. "Chovia e, por isso, não era suposto tê-lo na cabeça."

    A chuva transmite consegue transmitir tantas sensações! :)

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