Agora que os exames acabaram e me restam alguns dias sem que caiam mais folhas de apontamentos ao chão, está na altura de repor o stock de esferográficas azuis. Perdi a conta de quantas usei. Umas foram infiéis e só duraram umas semanas porque a tinta deixou de correr, outras tiveram um tempo de vida que lhes dava o direito de terem um nome, mas nunca fiz isso. No entanto, as perdas foram sempre devidamente sentidas e eu sempre fui fiel à caneta do momento. Nunca troquei o azul pelo preto e só tinha olhos para uma de cada vez.
Hoje lá andei a deambular pela casa, tentando decidir o que fazer. Vi que o Sol espreitava pela janela e por isso decidi que me ia deitar a ler. Lá fora estava frio, por isso fiquei do lado de dentro da varanda. A visão da areia do lado de lá do vidro fez com que trocasse a sweat por uma t-shirt e que fosse buscar os óculos de sol à gaveta. Era o mais parecido com um dia de Verão que conseguia, à excepção do gorro que me recusei a tirar. Durante umas horas vi a minha sombra mudar de página, de posição e de lugar, depois desapareceu.
Fui então lanchar. Coloquei compota nas tostas e pus o leite a aquecer no microondas. Fiquei a ver a malga girar lá dentro e quando ouvi o trim adicionei o chocolate em pó e os corn flakes. Os cereais dourados ficaram escuros, mas deliciosos. Sentei-me no chão, em frente à máquina de lavar roupa, e enquanto comia dei por mim a abanar a cabeça nalguma tentativa de acompanhar o movimento da roupa lá dentro. Foi estranho. Acho que férias me fazem mal.
Tudo me pareceu bastante agradável, tendo em conta este inverno chato e frio em que estamos... mas a cena de acompanhar os movimentos da roupa com a cabeça, seria digno de alguma idosa dizer que "apanhaste muito sol na moleirinha".
ResponderEliminarNunca me sentei em frente à máquina de lavar...
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