domingo, 21 de agosto de 2011

Cada coisa a seu dono

Compota de ameixa e canela numa fatia de queijo. Hum… A compota saía pelas duas extremidades do queijo enrolado, mas ainda assim muito bom. Pão com compota de ameixa e canela. Não tão bom como o queijo, mas com direito a repetir. A acompanhar, um iogurte de pêssego.

Depois do lanche, troquei o sofá pela varanda da cozinha como lugar de leitura. A almofada do sofá aquecia-me demasiado o pescoço e comecei a suar. Tudo isso contribuiu para um estado de sonolência, no qual as palavras deixaram de fazer sentido e só sonhava em encontrar pessoas cuja cara desconhecia.



Na varanda, no meio de baldes, esfregonas, cestos de vime e muitas mais tralhas, procurei embrenhar-me mais na savana africana (e a minha em nada se comparava à do livro). Esperava que as gaivotas se transformassem em juburus e marabus, mas elas continuaram gaivotas, de um lado para o outro, o grasnar delas a repetir-se de um lado para o outro. E se tivesse elefantes dentro de mim, aquele era também o momento ideal para eles saírem. Na verdade, queria ver as trombas deles. Se os visse a lançar água uns para os outros, saberia que ia chover. Se os ouvisse a bramir, saberia que trovejava na minha savana.

Mais tarde, trovejou e choveu na minha savana e na minha cidade. Inicialmente calmo como um tambor, o ribombar do trovão foi-se tornando cada vez mais forte. O chão parecia tremer e gritei, não de medo, mas de contágio. E a chuva, apesar de não ser tão forte como eu queria, foi o suficiente para arrefecer o meu corpo e produzir aquele barulho que eu tanto gosto nas folhas das árvores.

E lembrei-me de ti e quis insultar-te, mas não vale a pena fazê-lo, pois não?Acho que me tornei um pouco inacessível por tua causa, mas ainda não tenho a certeza. Se calhar a culpa é minha. E cada coisa a seu dono.

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