terça-feira, 16 de agosto de 2011

Há muitas coisas que voam

Foi só ontem que me dispus a encontrar a minha almofada. Fui ingénuo ao ponto de achar que a ter comigo me faria dormir melhor. Talvez até dormisse, mas quando sinto calor logo depois de me deitar, sei que se seguem comichões no braço e que o sono irá tardar. De facto, senti comichão no braço direito e depois lá andei às voltas no colchão até adormecer.

Acordei pouco depois, o relógio da Igreja perto de casa ainda não tinha dado as 4 badaladas. Embora sentisse os olhos pesados, não me sentia com sono. Vesti-me e saí à rua.
Estava deserta e silenciosa. O silêncio da noite era apenas quebrado de longe a longe por um carro que passava e a escuridão era iluminada pelos faróis. Também o céu estava deserto; não estava cravejado de diamantes como habitualmente e a Lua não estava lá (e vampiros não existem).

Uma vez no carro não nos atrevemos a ligar o rádio. Há muitas coisas na noite que não devem ser acordadas do seu sono. É pena que o Pippin não tenha percebido isso a tempo quando estava em Mória. O caminho ao longe não era bem visível. O nevoeiro tem estado presente diariamente. E nevoeiro faz-me lembrar Dementors e Dementors lembram-me a infelicidade. Conjecturei um Patronus mental para me afastar de tais situações.

O local para onde me dirigia apareceu nitidamente no meio da escuridão. As luzes no interior eram uma centelha de vida que dançavam nos meus olhos viam. Voltei a pensar para mim mesmo que aquilo se afigura a um ninho, mas em vez de pauzinhos de madeira, o metal e o vidro surgem resplandecentemente, deixando ver as pessoas lá dentro. Ainda há uns dias lá estive, mas sozinho. E um pouco nervoso confesso. Mas agora não me cabia a mim estar nervoso. Pelo contrário, eu estava lá para não deixar certas pessoas nervosas.

Quando voltei a casa, os pássaros principiavam a falar uns com  os outros, o céu adquiria uma tonalidade mais prateada e em breve o frio dos lençóis voltou a abraçar-me. Adormeci rapidamente e quando acordei novamente, fui lançar a coruja.

3 comentários:

  1. "O nevoeiro tem estado presente diariamente. E nevoeiro faz-me lembrar Dementors e Dementors lembram-me a infelicidade. Conjecturei um Patronus mental para me afastar de tais situações."
    Tenho pena de ainda não dominar completamente o feitiço. Talvez seja pela memória usada não ser forte o suficiente, ou talvez precise de tempo. Mas fico feliz por o saberes fazer, é um dom, sem dúvida xD

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  2. Nem sempre o consigo fazer. Às vezes porque sou demasiado lento, outras porque não arranjo forças. Nessas alturas alguém tem-no lançado por mim. Se algum dia não houver quem o faça, que será de mim?

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  3. Aprenderás a fazê-lo acho eu. Será sempre assim, um dia, quando confrontados, aprendemos o que julgávamos impossivel de compreender, ou demasiado dificil para perceber.

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