quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Dentes do siso



Não sonhei contigo (a menos que agora sejas um zombie), mas ainda assim pensei em ti. E isso é também uma forma de estar acompanhado.

Há dias em que me sinto vazio e hoje é um deles. Se to tivesse dito, ter-me-ias dado uma aula de anatomia, fisiologia, filosofia e talvez até de religião. Por fim, dirias que eu podia não acreditar em nada do que acabaras de dizer, mas que tinhas ainda mais um argumento, infalível.

"Quando estavas a dormir, eu soprei para o teu coração. E desse sopro nasceu algo muito maior do que tu e eu e que irá crescer cada vez mais."

Na altura fiquei sem saber o que querias dizer, mas quando deixei de pensar num "eu" para pensar num "nós", tu disseste-me que isso era um rebento da tal coisa. E deste-lhe um nome que pareceu dançar nos teus lábios e que ressoou nos teus dentes perfeitos: "amor".

Será que ainda tenho esse sopro de vida? Ou será que ele foi expirado no momento que acordei?

Saltei numa tentativa de ouvir o seu chocalhar. Nada. Talvez ele não se ouça. Talvez não se veja, mas se sinta. Se calhar ainda o tenho e é isso que me faz ficar triste. Se calhar não é o tenho e por isso me sinto vazio.
Ou se calhar sinto-me vazio porque tenho fome. Mas nem só de pão, leite e bolachas vivo... Talvez um pouco daquilo me fizesse bem.

1 comentário:

  1. Talvez o aquilo não seja o mesmo, seja próprio de cada um, mas também acho o mesmo. Sim, talvez um pouco daquilo me fizesse bem. Ainda que não signifique o mesmo, sim, só me faria bem certamente..

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