quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Eu nunca gostei de metáforas...

Ao tentar tocar isto, dou por mim a desejar ter umas mãos mais pequenas. Talvez fosse mais fácil tocar as oitavas e trocar dedos. Mas talvez deva simplesmente parar e pensar que existe uma outra mão para ajudar quando é preciso. Juntas dividem notas mas tocam a mesma melodia. O trabalho poderá ser simplificado, basta querer, basta que uma mão reconheça a existência e a capacidade da outra.

Mas por vezes há um medo oculto nesses movimentos que parecem tão inócuos. Não é o medo do protagonismo roubado. Não, longe disso. É o medo de as duas mãos querem tocar sempre juntas, mesmo quando há apenas uma nota. Corre-se o risco de violar a peça do compositor. E é também o medo de se magoarem uma à outra naquela partilha.

E isso não acontece um pouco com tudo? 

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