Ontem à noite fui até à praia. Quando lá cheguei, lembrei-me da última vez que lá estive àquela hora. Mas o que lá me levava era uma razão completamente diferente. Tão diferente, que todo o cenário era igualmente diferente.
Desta vez optei por tirar os ténis e levá-los na mão. Às vezes ainda consigo sentir a areia nos ténis que levei da outra vez; entranharam-se de tal maneira que ainda me fazem cócegas.
Na areia via-se as marcas das patas das minhas amigas gaivotas. Deixei as minhas pegadas à beira das delas. Espero que elas percebam que eu estive lá...
Estava mais escuro e mar e céu eram dois amantes naquela noite - estavam fundidos num só. Era impossível dizer onde começava um e acabava o outro, era tudo escuro. Às minhas doze horas (pela hora seria mais às minhas 0h), no que durante o dia eu diria que era a linha onde se fundiam os amantes, estava uma estrela. Por sinal, a única estrela de que me lembro de ontem.
O mar estava agitado e o vento empurrava as ondas para a minha direita. Umas rebentavam nas rochas, mas outras vinham languidamente até ao areal. Uma das rochas assemelhava-se a um vulcão: tinha forma afunilada, topo aplanado típico de erupções efusivas (não estou errado, pois não?), declive pouco acentuado. A parte superior era mais clara, mas a inferior, onde as águas salpicavam, estava preta. Se uma sereia ali estivesse, acho que a conseguiria ter visto.
Entretanto começou a cair chuva molha-parvos. Eu sou parvo e por isso ela molhou-me. Foi então que me vim embora. Não tinha roupa adequada para o momento. Não me importava de lá ter ficado, mas já sentia a garganta a doer.
Para a próxima levo uma garrafa termos com chocolate quente. Ou então a embalagem do Nesquick cereais. Mas não sei.
O amanhã é incerto.
Estás certíssimo em matéria de vulcanologia, já no dilema do chocolate quente vs Nesquick cereais acho que nem se pondera. Chocolate quente, numa noite fria é muito mais apetecível... xD
ResponderEliminargostei, gostei ;D e se vires uma sereia chama-me xbbb
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