{Hello, stranger.}
Onde está a chuva que me tinham prometido e que eu esperava que hoje me molhasse a cara, a roupa, o calçado e me lavasse a alma?
Onde está o granizo que me tinham prometido e que eu esperava ver acumular na varanda da cozinha, formando uma pista de gelo temporária para eu patinar?
Onde está a trovoada que me tinham prometido e para a qual eu tinha guardado trovoada feita dentro de mim para lhe fazer companhia?
Digam-me, onde está? Nada vi, nada senti, nada cheirei. Não gritei nem corri pela casa. Tudo que me tinham prometido foi substituído por um dia de canícula que eu não quis nem pedi.
Será que só eu acho que altas temperaturas e falta de vento fazem mal? Os electrões ficam excitados, as interacções moleculares aumentam, a entropia aumenta, a perda de energia é maior e por fim, fico num estado irritadiço. O Demónio quer voltar a dançar comigo, mas, apesar de tudo, não tenho paciência para ele (na verdade, acho que já dancei, mas fiz um grande esforço para conter tudo dentro de mim. nem toda a gente aguenta a violência dos gestos dele).
Os meus planos de chuva foram não pela água abaixo (ela nem sequer caiu) mas sim secaram ao Sol. Secaram demasiado ou então eram tão grandes que tocaram o Sol e desapareceram. O meu passeio à chuva teve de ser substituído por um passeio nocturno pela beira da praia.
Não vou dizer que não gostei – na verdade, a praia fica bonita à noite e é agradável passear por lá e ver as estrelas a pairar e o mar adquire uma tonalidade prata nos sítios onde a luz dos candeeiros atinge. Mas se chovesse as ruas estariam pouco movimentadas e por isso seria como se estivesse sozinho na solidão. Mas assim não. As ruas estavam cheias. Estava sozinho na multidão.
E passei pelo parque onde brinquei várias vezes quando era mais pequeno. Foi aí que fiquei triste. Mataram os baloiços que me possibilitaram mandar uns grandes pontapés às nuvens e ao céu. As cordas que seguravam o assento eram agora muito pequenas, em nada se comparavam às gigantes onde as minhas mãos tantas vezes passaram.
Pobres crianças que lá brincavam. Não sabem elas o quanto eu chateava o meu pai para me levar lá (mesmo em dias de chuva, é verdade) para brincar nos melhores baloiços da cidade.
Pobre eu, que agora já não encontro a mesma diversão de antigamente nos baloiços onde agora me balanço.
{- I don't love you anymore.}
{- Since when?}
{- Now.}

Um equívoco. É o que, muitas vezes, as promessas acabam por ser!...
ResponderEliminarComo o reflexo das memórias de quem receia o vazio e não sabe o caminho para os jardins de uma infância que se confundiu na bruma dos dias.
Semelhantes ao bluff de um experimentado jogador de poker, quando lhe faltam argumentos para arrecadar o produto das apostas. É-lhes indiferente a qualidade dos bens em disputa: uma mão cheia de euros ou, tão-só, uma hipotética varanda transformada em pista de gelo.
o tempo está deveras estranho.
ResponderEliminarEu culpo os Dementors.
Acho que hoje em dia a facilidade com que se acede ao álcool é preocupante. Eu culpo os Dementors e sei bem que eles precisam de reabilitação. Trazem o nevoeiro, a chuva formigueiro e , inesperadamente, o calor também. È, acho que eles andam Confundidos.
Ainda há bocado quando estava a regressar a casa, vi um de biquíni.
E não era suposto, creio eu.
Se é para andarem por aí, ao menos que façam um trabalho decente.
O mundo está maluco.
Talvez sim, talvez não, driftin'.
ResponderEliminarOs jogadores de poker estão confinados à mesa e às cartas e só há um objectivo.
Num passeio, os limites de tempo, espaço e oportunidades não são definíveis pela exactidão, mas a razão porque o damos podem-no ser e em nada se prendem com as descobertas feitas pelo caminho.
A razão do meu passeio de ontem? É discutível. Mas acho que não se prende com a pista de gelo (e não há pista como aquela).
(acho que isto não fez muito sentido. é que tenho 2 formigas na secretária e estava a vê-las enquanto escrevia)
O mundo está mesmo maluco. E dementors em biquíni? Fiquei de boca aberta. Onde é que já se viu!