sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Qual Faísca qual quê? Loucura!

"sinto a tua falta, meu amor, como sempre. Mas hoje é particularmente difícil porque o oceano tem estado a cantar para mim e a canção é a da nossa vida juntos. Quase consigo sentir-te a meu lado enquanto escrevo esta carta e consigo cheirar o aroma de flores silvestres que me faz sempre lembrar de ti"

É claro que não somos um romance do Nicholas Sparks. Tu fazias-me lembrar morangos e baunilha, não frutos silvestres. E não era o mar que nos cantava. Era o vento, que agitava as nossas árvores, e as gaivotas, que tentavam imitar o teu grasnar.
Mas sim, sinto a tua falta e tudo me faz lembrar de ti.

"sei que, de alguma maneira, todos os passos que dei desde o momento em que comecei a andar eram passos dirigidos ao teu encontro. Estávamos destinados a encontrarmo-nos"

E mais uma vez ele está errado. Dizer que estávamos destinado a encontrarmo-nos é praticamente dizer que nem tínhamos poder de escolha e não passávamos de marionetas nas mãos de alguém. Se ele não tivesse escrito a última frase e tivesse escrito "voar" em vez de "andar", então ele talvez tivesse alguma razão. Tu sempre quiseste voar. Lembras-te quando te punhas aos saltos na cama e no intervalo de tempo que estavas sem os pés apoiados no colchão gritavas:

"K., K., estou a voar!"

E tentavas puxar-me o braço para te acompanhar, mas eu não ia. Tinha medo de voar e tu, naquele êxtase, podias não conseguir estender-me o braço caso caísse.


Lembras-te quando íamos até à praia à noite e nos deixávamos envolver pela água? Quando nos estendíamos tu punhas areia nos meus braços e nas minhas pernas. Às vezes dizias que era porque eu ficava brilhante como a prata. Outras dizias que eram os raios da Lua que desciam até mim e se fundiam com as minhas células.
Ontem descobri uma maneira disso acontecer sem sairmos de casa. Nestes últimos dias tem-me custado adormecer e embora não esteja ninguém deitado a meu lado, fico cheio de calor. As minhas mãos suadas brilham à luz do candeeiro. As linhas da mão (que tu costumavas seguir com o teu indicador, numa tentativa de me leres a sina) reluzem como se fossem os fios de prata.


Estou a ficar louco, só pode. 

"esquizofrenia é quando ouves vozes, como na rádio"

Estarei a ficar esquizofrénico? Já são muitas as conversas na minha cabeça. Mais do que habitual.


Ontem disseram-me que quando vemos a Lua, pensamos sempre em alguém.
Eu pensava em ti, mas não sei quem és "tu". Podes ser inacessível (não te culpo se o fores, acho que eu também o sou) a muitos níveis, por isso vou deixar de ver a Lua. Talvez assim deixe de pensar em ti, quem quer que sejas.
.:Quando todas as luzes brilham, não te vejo no meio delas:.

2 comentários:

  1. "É uma psicose grave que interfere com a capacidade de uma pessoa pensar de forma clara, de lidar com as suas emoções, de tomar decisões e de se relacionar com os outros ". Acho que os teus pensamentos ainda são claros por isso (por enquanto) ainda não te podes considerar esquizofrénico xD

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